O preço que a sociedade paga pela existência de uma política polarizada

Paulo Ricardo Ribas de Souza é acadêmico do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Fasipe

Por OPINIÃO 01/10/2019 - 17:49 hs
O preço que a sociedade paga pela existência de uma política polarizada
Paulo Ricardo Ribas de Souza

Já pensou qual grau de influência a política tem na sociedade? Atualmente todo movimento é político, e isso é de grande importância em uma sociedade, mas, de que forma todo esse movimento afeta uma população?


Uma sociedade dividida em direita e esquerda entra em conflito a todo tempo, principalmente quando um assunto ideológico é pautado. Visto isso, mudanças na comunidade começam a acontecer e, não me refiro a afetar em aspectos físicos, mas sim psicológicos, passando por cima de ideologias próprias somente para defender seu lado.


Esta é uma guerra ideológica em que não se pode contrapor nenhuma ideia. Debates saudáveis estão cada vez mais raros, famílias perdem membros no convívio, amizades são desfeitas. Você não é mais julgado por quem você é, mas pelo lado a qual apoia. Em Sinop, cidade do Norte de Mato Grosso, recentemente presenciamos um episódio que evidenciou essas questões.


O caso se deu por meio de um trabalho artístico feito no viaduto do Bairro São Cristóvão pelo grafiteiro Matias Souza. A imagem é da jovem ativista Greta Thunberg. Adolescente de 16 anos que ficou mundialmente conhecida discursar na Organização das Nações Unidas (ONU). Por ser uma figura atual da mídia, o autor decidiu pintar seu retrato para que sua imagem seja assimilada ao meio ambiente. Contudo, em menos de 24h já ficou evidente a insatisfação de parte da população sinopense.


A arte, de fato conseguiu trazer um debate à população. Pessoas contra x pessoas a favor. Ambas com pontos de vistas sobre o assunto de uma maneira diferente. Em minha opinião, o autor da pintura de Greta pode se sentir realizado, pois como diria o famoso escritor Ricardo V. Barradas, “a arte hoje não é o só que adorna, é o que sobra, incomoda, provoca e leva a reflexão”.


Ainda vale lembrar, que conforme ressaltou o colega de Matias e responsável pela obra do Cacique Raoni (pintura que também repercutiu na cidade), o artista Raiz Campos, o local em que o trabalho foi realizado, era totalmente esquecido na cidade até o episódio da jovem ativista.


Como se não bastasse as discussões populares, não demorou muito para que o assunto fosse abordado na sessão da Câmara dos Vereadores, que no qual alguns "representantes" da população, além de ofenderem a obra e a até a própria Greta decidiram apagar a pintura. Concordando ou não com a imagem da garota, é evidente sua importância para a pauta ambientalista. É de completa ignorância o discurso de alguns vereadores. Mas o auge mesmo foram os “trocadilhos” com o nome da adolescente.


Além do mais, é irônico usarem do discurso que “a imagem da menina é como uma ofensa à forte economia agropecuária do estado”, só fortalecendo o estereótipo de que ambientais e agricultores necessariamente têm que ser inimigos e onde há um não pode haver o outro.


Mas parece que esses acontecimentos não foram suficientes. Hoje pela manhã a obra amanheceu vandalizada. Pichada com a seguinte frase “Lula ta preso, babacas”. A atitude em questão deixou em evidência a tomada de um lado, de uma ideologia e até mesmo deixando claro a existência de um extremismo político.


Tudo que se faz é política, mas nem tudo é político. É desgastante ser associado a uma figura política em decorrência de algo dito. Você pode ser contra a pintura da jovem, acreditando "haver outras coisas" para pintar, é compreensível. Agora, defender o ato de vandalismo MESMO já sendo dito que ela não estaria mais lá no dia seguinte, é no mínimo atípico.


Para defender um lado da política, até onde as pessoas estão indo? A população está tão afetada devido a polarização política, que defender seu lado se tornou mais importante do que qualquer outra coisa. E mais, tenho pena se você ficar no centro disso tudo.